Arquivo mensal: Março 2018

Pontos

É estranho. O ser humano é estranho.
Parece que em cada conversa, cada confronto de ideias, cada contar de histórias, este ser anda a tentar ganhar pontos.

Como se fosse um jogo.

Há pontos por ideais, pontos por conquistas, pontos por escolhas, há pontos para todos os gostos.

Há quem ache que os pontos estão interligados com um número abstrato numa conta bancária.
Há quem ache que os pontos na verdade são inversamente proporcionais à conta bancária.
Os maus jogadores, com poucos pontos, são sempre os outros.

Há quem considere que os pontos são ganhos pelo que comemos, ou vestimos, o número de beijinhos que se dá ao cumprimentar alguém, ou o número numa balança.

Há quem tente ganhar pontos com as horas que trabalha, as horas que não trabalha, os kilometros que voa, ou os kilometros que corre.

Estamos sempre a tentar ganhar pontos, para quê?

Como aquela conversa a que chamamos de “conversa de velha” em que se ganha pontos pela doença mais agressiva, pela dor mais aguda.

“Oh coitada, sofreu mesmo” – ganha mil pontos.

Qual é a cena desta competição, deste anseio por um insuflar fugaz de ego momentâneo?