Arquivo da categoria: random

Pontos

É estranho. O ser humano é estranho.
Parece que em cada conversa, cada confronto de ideias, cada contar de histórias, este ser anda a tentar ganhar pontos.

Como se fosse um jogo.

Há pontos por ideais, pontos por conquistas, pontos por escolhas, há pontos para todos os gostos.

Há quem ache que os pontos estão interligados com um número abstrato numa conta bancária.
Há quem ache que os pontos na verdade são inversamente proporcionais à conta bancária.
Os maus jogadores, com poucos pontos, são sempre os outros.

Há quem considere que os pontos são ganhos pelo que comemos, ou vestimos, o número de beijinhos que se dá ao cumprimentar alguém, ou o número numa balança.

Há quem tente ganhar pontos com as horas que trabalha, as horas que não trabalha, os kilometros que voa, ou os kilometros que corre.

Estamos sempre a tentar ganhar pontos, para quê?

Como aquela conversa a que chamamos de “conversa de velha” em que se ganha pontos pela doença mais agressiva, pela dor mais aguda.

“Oh coitada, sofreu mesmo” – ganha mil pontos.

Qual é a cena desta competição, deste anseio por um insuflar fugaz de ego momentâneo?

O Patrão

Não há patrões, nem há empregados, há colegas.
Eu tenho a minha função, e a minha função é conseguir trabalho para esta gente, conseguir matérias primas para esta gente e conseguir que esta gente seja feliz.
Estar atento às suas necessidades.

Esta é a minha função.

Interrupções

Se há uma coisa que me chateia à grande são interrupções quando estou concentrado.

A natureza do trabalho de programação requer um grande trabalho mental continuado em que os pensamentos são formados, encaixados e traduzidos em linguagem de programação.
Ora a meio de uma linha de pensamento destas alguém grita “Oh Santos, coiso coiso coiso”. Pumba! Lá vai a linha de pensamento.
E depois consegue-se retomar exactamente onde se estava? Claro que não! Muitas vezes é preciso voltar até início da lógica.

Por favor, antes de rebentar uma bolha de concentração (que é fácil de perceber pela expressão facial da pessoa), é preciso analisar se o que se tem para dizer é realmente importante.
Caso não seja, sr interruptor, mande um mail 🙂

Update
Acabei de ler este artigo, está muito bom e encaixa aqui perfeitamente:
http://www.businessinsider.com/why-programmers-work-at-night-2013-1

Working on large abstract systems involves fitting the whole thing into your mind – somebody once likened this to constructing a house out of expensive crystal glassand as soon as someone distracts you, it all comes barreling down and shatters into a thousand pieces.

This is why programmers are so annoyed when you distract them.